quinta-feira, 5 de junho de 2014

Lago de Orta



Existem lugares no mundo que são joias escondidas. Lugares incríveis que poucas pessoas conhecem. O lago de Orta, no norte da Itália, é um desses lugares. Pesquisando no google sobre os lagos italianos, há muita informação sobre os famosos lagos Maggiore, de Como, de Garda, de Iseo... mas pouco se fala sobre a joia turística que é o lago de Orta.




Localizado aos pés dos Alpes, entre o Monte Rosa e o Mottarone, o lago de Orta é muito pequeno em relação aos demais. Possui apenas 33km de perímetro. Aproveitei um voo que fiz para Milão, no final de maio de 2014, para conhecer esse lugar incrível.


Um parênteses: O Hotel Atlantic (onde a tripulação fica hospedada), em Arona, oferece carro para aluguel somente para quem tem carteira de motorista  internacional. Por R$137, o Detran emite a PID (permissão internacional para dirigir) com validade igual a da carteira de motorista brasileira. A solicitação é pelo site e chega pelos correios em menos de uma semana. Vale a pena.


Com o carro alugado no hotel, eu e minha colega Juliana chegamos no Lago de Orta em 30 minutos. Fomos direto para a cidade principal: Orta San Giulio. O nome da cidade vem dos irmãos gregos Giulio e Giuliano que trouxeram o crisitianismo para a região, no século IV.


É preciso estacionar o carro fora da cidade pois todo o centro histórico é zona exclusiva de pedestre. Descobri que o lago de Orta é desconhecido apenas pelos brasileiros pois a cidade estava cheia de turistas europeus, principalmente franceses, suíços e alemães. Como de praxe, fui ao centro de informações turísticas pedir indicações dos melhores lugares para se conhecer em pouco tempo:
















Praça Motta: é a praça principal da cidade, onde acontece a feira semanal desde o século XV. O edifício de destaque da praça é o Palazzo della Comuità, onde acontecia o Conselho da Riviera, em que a comunidade do lago se reunia, no século XI, para elaborar suas leis. 
A praça fica às margens do lago e é de lá que sai as embarcações para a charmosa Ilha San Giulio.


Palazzo della Comunità











Ilha de San Giulio: a 400m de Orta e com um perímetro de 650m, a pequena ilha é um lugar de descanso e reflexão. Um mosteiro beneditino ocupa grande parte da ilha e não é permitida a visitação. Há um caminho que circunda toda a ilha, a Via del Silenzio, caminho a ser feito em silêncio, admirando a paisagem, ouvindo o vento e refletindo... outro ponto turístico da ilha é a Basílica de San Giulio, fundada pelo santo no ano de 390dC. O prédio atual da basílica passou por várias reformas ao longo dos séculos e é composta de numerosos afrescos e esculturas dos séculos XV, XVI e XVII e um altar de mármore. Na cripta, estão os ossos de San Giulio.

Barco para a Ilha San Giulio

Interior da Basílica San Giulio

Vista do mosteiro e da torre da basílica

Placas na Via del silenzio, incentivando a reflexão


Pegamos o barco de volta à Orta e passeamos pela Via Giuseppe Fava, um belo caminho na beira do lago.


Em seguida, visitamos a Igreja Santa Maria Assunta, que foi construída no final da Idade Média (1485) para celebrar os sobreviventes da peste negra.

Igreja Santa aria Assunta

interior da igreja

Sacro Monte di São Francisco: tombado pela Unesco como patrimônio da humanidade, é um lugar de muita paz e oração. Situado em uma magnífica posição panorâmica sobre o lago, o Sacro Monte de Orta é um percurso de devoção, constituído de vinte capelas com afrescos e estátuas de tamanho real, que ilustram a vida de São Francisco de Assis. Cada capela representa uma cena da vida do santo. Os trabalhos de construção desse impressionante complexo religioso iniciaram-se em 1590 e duraram mais de um século.

Capelas dedicadas a São Francisco de Assis

Interior de uma das capelas


Interior de uma das 20 capelas








Juliana e eu, selfie com visual incrível































O parque é lindo, repleto de paz e tranquilidade. É possível sentir a energia do lugar e refletir sobre a vida de São Francisco de Assis. O Sacro Monti fica em no alto da cidade de Orta, é possível chegar lá a pé ou de carro. O problema de ir de carro é que o estacionamento dá acesso à capela 17,18 e ficamos meio perdidas até encontrar a capela 1 para fazermos toso o percurso de devoção.

Com o corpo cansado de tanta caminhada e a alma renovada nesse lugar tão abençoado, percebemos que era hora de voltar. Passamos em Stresa para almoçar e voltamos para nosso hotel, que um voo de 12 horas de volta para São Paulo nos aguardava.

Paz, tranquilidade e uma vista incrível no Sacro Monte












O lindo dia e a temperatura agradável da primavera italiana tornou nosso passeio ainda mais incrível. Sugiro a todos que pretendem visitar a Itália que incluam esse lago nos seus roteiros pelo norte do país.


Gastos totais do passeio por pessoa:

Aluguel do carro: 15 euros

Combustível: 5 euros

Estacionamento: 2euros

Barco: 4,50 euros

Total: 26,50 euros



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Salamanca


Há lugares no mundo todo que são tombados pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. São lugares (sempre incríveis), que, como o próprio nome já diz, possui importância cultural e física para toda a humanidade. Na Espanha, há 44 patrimônios da humanidade e o centro histórico da cidade de Salamanca é um deles, famoso pela sua Plaza Mayor e pela sua antiga universidade.

Salamanca fica pertinho de Portugal, na província de Leão e Castella, cerca de 200 km de Madri. Aproveitei o voo que fiz para a capital espanhola, na primavera de 2014, para conhecer essa cidade incrível e riscar um lugar na lista dos Mil Lugares para Conhecer antes de Morrer!

A história de Salamanca começa no período Paleolítico, passando pelo império romano, invasão mulçumana, quatro séculos de “terra fronteiriça” e somente em 1085 passou a pertencer à Espanha, quando o rei Alfonso VI a conquistou definitivamente. A cidade é rica em monumentos da Idade Média, Renascimento e Barroco. 

Partindo da estação de trem Chamartín, em Madri, a viagem até Salamanca tem duração de 2h40min. Convidei as outras 15 pessoas da tripulação para me acompanhar nesse passeio mas ninguém teve interesse. Mesmo sem companhia, não poderia deixar de aproveitar essa oportunidade. Para otimizar melhor o curto período disponível para conhecer a cidade, reservei um hotel para dormir uma noite lá.

Chegando na cidade, a primeira parada é o posto de informações turísticas. Sempre faço a mesma pergunta: “Tenho apenas algumas horas para conhecer a cidade, o que não posso deixar de ver?”. Com um mapa, o guia me indicou os principais lugares  serem visitados:



Plaza Mayor: construída em 1720, essa praça é considerada a mais bonita da Espanha e uma das mais bonitas do mundo. Com uma arquitetura barroca impressionante, lá é o coração da cidade, repleta de estudantes, locais e turistas. Às 19h, com sol alto ainda, havia muitas pessoas sentadas no chão da praça, curtindo o calorzinho dos 20 graus que fazia naquela tarde. Eu fiquei boquiaberta com a riqueza de detalhes daquela belíssima praça! São 88 arcos simetricamente iguais e em cada coluna há um medalhão com personagens da história.
Construída em 1720, a praça possui 6400 metros quadrados. Na fachada destaca-se o Pavilhão Real, grande arco com um balcão onde os reis presenciavam as touradas que havia na praça. 



Casa das Conchas: construída em 1493, por Don Rodrigo da ordem de Santiago, é um dos prédios mais famosos de Salamanca. Destaca-se por ter numerosas conchas de peregrino castelhano que adornam a fachada. É realmente muito bonito e diferente. Hoje a casa das conchas funciona como biblioteca e é possível visitar. 
Incrível fachada da famosa Casa das Conchas
Interior da Casa das Conchas








Clerencía: É o maior conjunto arquitetônico da cidade. Consta da igreja, dois grande pavilhões destinados a residência de religiosos e estudantes, um claustro e várias dependências anexas. Infelizmente não tive tempo de conhecer a Clerencía por dentro, mas pude admirar a beleza de sua arquitetura por fora. 
Casa das Conchas e Clerencia

Universidade de Salamanca: localizada na rua dos livreiros, a Universidade de Salamanca foi o local que mais gostei de visitar na cidade. Uma das universidades mais antigas e famosas do mundo, teve grande influência na América Latina. É possível visitar as salas de aula do século XIII, o pátio, a capela, a belíssima biblioteca da Universidade. A fachada do prédio é uma joia da arte renascentista espanhola. 
Biblioteca da Universidade


Sala de aula da Universidade

Impressionante fachada da Universidade de Salamanca




























Catedral Velha: construída entre os séculos XII e XIII, é famosa pelo seu altar composto de 53 telas sobre a vida de Cristo, feita pelo pintor italiano Nicolás Florentino, já no século XV. 

Altar da Catedral Velha













Catedral Nova: construída anexa à catedral Velha, entre os séculos XVI e XVIII é composta por três naves e 13 capelas nas laterais. 

Cúpula da Catedral Nova




















As duas catedrais são anexas, entra-se pela Catedral Nova e através de uma portinha chega-se na velha. É possível subir na torre mais alta da Catedral Nova, a escadaria vale o esforço pois a vista da cidade é incrível!







Casa de Lis: Esse importante museu não tive tempo de visitá-lo. É um edifício modernista que abriga o Museu de Art Deco e Art Noveau, um dos mais importantes da Europa. 


Ponte romana: único vestígio romano de Salamanca. Composto de 26 arcos sobre o rio Tormes.


Apesar do pouco tempo, eu gostei muito da cidade! Confesso que fiquei com vontade de estudar na Universidade de Salamanca, que oferece cursos de espanhol para estrangeiros. Há prédios pertencentes à Universidade por todo centro histórico e muitas residências estudantis e estudantes do mundo todo. Sem comparações, mas me lembrou um pouco a cidade mineira de Ouro Preto, por ser uma cidade histórica-universitária (nada a ver a arquitetura hein!!).

Gostaria de fazer duas indicações para quem for visitar a cidade: Hotel Condal, muito bem localizado, limpo e bem barato (28 euros) e restaurante Delicatessem, que descobri seguindo um grupo de estudantes e percebi que lá estava cheio de muitos estudantes. Comida boa e preço bom.

Gastos total do passeio:

Metrô até a estação de trem: 4 euros

Trem Madri-Salamanca (Renfe): 38 euros ida e volta

Hotel Condal: 28 euros

Entrada Universidade: 5 euros


Total: 75 euros + refeições

sexta-feira, 14 de março de 2014

Vale d'Aosta


 
O Vale da Aosta é uma belíssima região no norte da Itália, cercada pelas altas montanhas dos Alpes, que marca as fronteiras com a França e a Suíça. A região é famosa para esportes de inverno (como mencionei no post Cervinia), para criação dos cachorros São Bernardo e pelos inúmeros castelos e fortificações construídos em lugares altos, deixando a paisagem do lugar maravilhosa.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aproveitei o voo que fiz para Milão em março de 2014 para conhecer dois dos tantos castelos da região. Aluguei um Fiat 500 no aeroporto e saí do hotel cedinho (7:30 local, 03:30 Brasil).
 
A paisagem da rodovia é quase igual da Fernão Dias...


Dirigi cerca de 150 km, dessa vez com a companhia de dois colegas co-pilotos, o Anderson e o Ruiz, até uma cidade chamada Nus. Foi lá que visitamos o castelo de Fenis.



 

Fizemos uma visita guiada e nosso guia Marco nos explicou que o castelo de Fenis é uma fortificação militar que nunca foi utilizada como tal. Apenas mais uma propriedade da rica família Challant, o castelo começou a ser constuído no fim do século XII, sofrendo reformas e ampliações até o século XV.

Embora a temperatura exterior era de agradável 15 graus, dentro do castelo a sensação térmica era de uns 5!
 

Infelizmente no interior do castelo não é permitido tirar fotos. No hall de entrada há afrescos das cores da família Shallant (preto, vermelho e branco), com um São Jorge em destaque. Há alguns (poucos) móveis, como cadeiras, mesas, baús e camas. As explicações do Sr Marco duraram cerca de 40 minutos.

 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Continuando o passeio, voltamos  30km pelo mesmo caminho em meio às altas montanhas para conhecer a fortaleza mais famosa da região: o Forte de Bard.
 
 
Devido à sua posição estratégica, a colina de Bard foi fortificada desde tempos muito antigos. O episódio mais famoso aconteceu em  14 de maio de 1800 quando o exército austro-piemontese resistiu o ataque tropas de Napoleão com 40.000 homens. Surpreendido com inesperada resistência, Napoleão se rende ao “vilão castelo de Bard”.
 
 
 

Para visitar a fortaleza é preciso subir três lances de elevadores panorâmicos e só visual da visita já vale todo o passeio: montanhas com os topos brancos de neve, rio de águas transparentes correndo lá embaixo e uma vila medieval junto à fortaleza. Incrível!
 



Dentro do castelo, há exposições de arte temporárias, museu dos Alpes e os presídios. Devido ao pouco tempo disponível visitamos apenas os presídios. Tive que pagar um euro a mais no bilhete apenas para poder tirar fotos.
Soldado francês preso no presídio de Bard

É possível entrar nas pequenas celas do presídio
 

Nossa descida foi a pé, curtindo o visual por outros ângulos.
 
elevador panorâmico
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Depois de um passeio pela vila medieval, almoçamos rapidamente pois era hora de voltar ao hotel, devolver o carro no aeroporto e voar de volta pro Brasil.


Dedico esse post a três pessoas: a Nayara, que trocou comigo esse voo e foi pra Londres no meu lugar, a Helena e Henriete que visitaram esses castelos no ano passado e me mostraram fotos e deram dicas.

 

Gastos totais do passeio:

Aluguel carro: 80 euros

Pedágio: 40 euros

Combustível:60 euros

Entrada castelo Fenis: 5 euros

Entrada Forte de Bard: 5 euros

Estacionamento: 6 euros

Total: 196 euros, que foram divididos entre nós três.

 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Everglades


Para nós brasileiros, Miami é símbolo de compras, praias e badalações. Poucos turistas sabem que a 65 km de Miami está o terceiro maior parque nacional dos EUA, o Parque Nacional de Everglades.
 
Aproveitei um tempo livre em Miami, em janeiro de 2014, para conhecer uma parte desse enorme parque de 600.000 ha.
 
Com carro alugado e a animada companhia de minhas colegas Camila, Ediane e Vanessa, em menos de 50 minutos chegamos ao parque, pela entrada Ernest F. Coe.
 
Somente com a explicação da guia, no Centro de Visitantes, descobrimos a dimensão do parque. O trajeto sugerido de passeio no dia seria de 120 km ida e volta!!! É muito grande e com uma biodiversidade imensa! Meio terra e meio água, o parque é um denso manguezal, um pântano de água doce, que em algumas partes, mistura com a  água salgada da Baía da Flórida.


A primeira parada foi na Anhinga Trail. Anhinga é um pássaro maravilhoso, chamado de Carará em português. A gente vai até lá de carro, estaciona e faz a trilha a pé.


Anhinga ou Carará






A biodiversidade é imensa: peixes, pássaros e principalmente, os jacarés!!!









O Parque Everglades é famoso por seus jacarés e crocodilos pois é o único lugar no mundo que os dois convivem juntos. Crocodilos, jacarés e turistas... todos no mesmo lugar...
Ao longo da nossa trilha eles aparecem, e percebemos que os intrusos lá somos nós... E na hora que eles abrem aquele bocão bem do nosso lado, dá um medinho danado...


O mais próximo que consegui chegar para tirar foto


Abriu a boca, mostrou os dentes...
 
 
No fim da trilha, chegamos a um pântano onde podemos ver cerca de nove jacarés/crocodilos juntos.



Quantos jacarés vocês conseguem ver?





Voltamos pro carro e continuamos o passeio. Próxima parada: Pa-hay-okee Overlook. É um mirante, construído através de pontes e passarelas de madeira. O visual é basicamente de "capim serra", tão comum nessa região que até parece um rio de capim. Nós mineiros chamamos de brejo mesmo!

Pa-hay-okee Overlook
















De volta ao carro e mais quilômetros depois, chegamos ao Flamingo, ponto de apoio para o passeio de barco.


Fizemos o passeio para o norte, por um labirinto de canais estreitos, cercado de manguezais. É possível fazer passeios de canoa e caiaque também.


Camila, Vanessa, eu e Ediane no barco sobre o canal Buttonwood

O guia vai explicando tudo sobre a fauna e a flora do lugar. São 14 espécies nativas de cobras, peixe-boi, águias, garças e mais de 1000 tipos de plantas.

 
 
 
 
 
Comparações à parte, nosso país é muito mais rico em flora e fauna. Temos a Amazônia e o Pantanal e estamos cercados de animais e natureza belíssimos de norte a sul. Estou escrevendo isso porque em 90 minutos de passeio ele ficou mostrando árvores e raízes que temos oportunidade de ver com bastante frequência aqui no Brasil. No final, o passeio ficou um pouco entediante.

Como já dizia Pessoa, " tudo vale a pena se alma não é pequena" e o passeio em Everglades valeu muito a pena.

Depois que o barco atracou, vimos um jacaré gigante nadando nas águas do canal.

E assim, riscamos mais um lugar na lista dos Mil Lugares para conhecer antes de morrer, de Patrícia Schultz.




Depois de tanto contato com a natureza, voltamos os 60km dentro do parque  (Camila dirigindo) e mais 60km até Miami e passamos (rapidinho) no Shopping, porque também merecemos nossas compras baratas!

Gastos total por pessoa:
Aluguel carro: 10 dólares
Combustível: 5 dólares
Entrada parque: 2 dólares
Repelente: 2 dólares
Passeio de barco: 18 dólares
Total: 37 dólares